SPED – Causa ou consequência?

Por Sidcley José Fructuoso da Silva*

Vivemos a era da tecnologia digital. Simples ações que já fazem parte do nosso cotidiano há alguns anos poderiam servir como tema de filmes de ficção científica. Um exemplo são as vendas pela Internet. Uma empresa do Rio Grande do Sul, com o uso de câmeras digitais, fotografa seus produtos, catalogando-os e colocando-os a venda através da rede mundial de computadores, nossa famosa Internet. Uma pessoa em outro extremo do país, digamos o Acre, acessa a mesma Internet, vê e analisa os produtos e decide pela compra. Realiza, então, um cadastro e escolhe pagar à vista através de boleto bancário, que é gerado automaticamente na finalização da compra. As informações deste boleto são automaticamente enviadas ao banco, para que possa receber os valores e repassá-los à empresa. O comprador, por sua vez, realiza o pagamento pelo seu “Internet Banking”. O banco, então, disponibiliza eletronicamente estes valores à empresa que vendeu o produto, em sua conta corrente. O comprador não viu o vendedor. Ambos sequer encostaram em uma cédula de real ou saíram de suas casas. Há vinte anos, se uma pessoa do Acre quisesse comprar um produto no Rio Grande do Sul, qual seria o processo? Digamos que, no mínimo, bem mais trabalhoso e um tanto mais lento.
 
O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) nada mais é que a consequência desta evolução tecnológica. Ora, se as relações entre as empresas e seus consumidores se tornaram eletrônicas, por que as fiscalizações destas operações também não se tornariam? Não é o SPED que força os avanços tecnológicos, os avanços tecnológicos é que fazem o SPED evoluir. Quanto mais aumenta  a capacidade de automação das empresas, mais o SPED irá evoluir. Isto sim é consequência.
 
Não podemos exigir que nossas relações comerciais com fornecedores, clientes e bancos sejam cada vez mais automáticas e com cada vez mais informações digitais, redução de papéis, aumento de segurança e eliminação de retrabalho e esperar que o registro fiscal contábil destas mesmas informações continue no passado, com escritórios contábeis repletos de papéis.
 
Adequar-se ao SPED não é, portanto, apenas adequar-se as exigências do governo. Significa, antes de tudo, adequar-se a era das relações comerciais digitais que já existem e que continuarão evoluindo, na mesma velocidade da tecnologia. Aceitar a tecnologia pode ser, portanto, o primeiro passo para entender e, também, beneficiar-se com o SPED.
 
* Sidcley é analista de negócios da WK Sistemas, com atuação focada no desenvolvimento das soluções SPED, NF-e, Comercial, Compras, Estoque e Produção do ERP Radar Empresarial.