Acabaram as fusões no mercado de ERP?

A crise financeira internacional reduziu, de maneira significativa, o crédito com aumento das garantias e exigências, levando a um desaquecimento da economia em todos os segmentos. As empresas tiveram que buscar maior eficiência e controle e redução de custos para serem mais competitivas, e ao mesmo tempo, maiores exigências de segurança, confiabilidade e fidelização.

O "IDC Predictions 2009" destaca que o crescimento dos gastos com TI em países emergentes sofrerá efeitos da crise, mas ainda se manterá três vezes maior que a média do mercado mundial. Previsão semelhante é feita ao segmento de pequenas e médias empresas (SMB), que desacelerará menos que a média de mercado e deverá representar um crescimento 1,4 vezes acima da média do mercado geral. Segundo o relatório, esse comportamento das SMB é explicado pelo fato da compra ser feita, geralmente, em caso de absoluta necessidade e pelo fato de que essas empresas não apresentam saldos remanescentes de projetos anteriores de TI a pagar.

No estudo intitulado "Worldwide SMB 2009 Top 10 Predictions" o IDC destaca que as pequenas e médias empresas latino-americanas têm mostrado notável resiliência aos efeitos da recessão mundial, com crescimento de dois dígitos nos gastos com TI em 2008 (10%).

Esses fatos tornam o mercado de venda de ERP um local atrativo para investimentos e novamente a consolidação setorial tomará velocidade.

A briga vai ser mais intensa, mas com grandes oportunidades. Briga intensa em relação à concorrência dos grandes competindo ferrenhamente no seu nicho de SMB, usando a tecnologia e SaaS para gerar produtos "especializados" e com preços cada vez mais agressivos. Oportunidades pela conquista de novos clientes que estarão migrando dos grandes integradores de TI, buscando redução de custos e pela demanda gerada por nichos como Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) e nota fiscal eletrônica (NF-e). As empresas menores de ERP ganharam, nos últimos anos, conhecimentos para oferecer produtos e serviços de qualidade, competindo com as empresas maiores.

SaaS será uma importante tendência para os próximos anos. É uma bela evolução tecnológica, tirando a complexidade da instalação e manutenção do produto. SaaS é, também, uma excelente forma de negociação com grandes vantagens financeiras para o cliente permitindo que a compra esteja ajustada ao fluxo de caixa e que seja encarada como despesa.

Mas, mais importante do que isso, SaaS transforma o produto em infraestrutura de TI. É como apertar um simples interruptor e acender a luz, ou como ligar um notebook wireless e estar conectado à Internet.

E entre os vetores que contribuirão de forma decisiva para quebrar paradigmas históricos de desconfiança para sua aceitação estão à disseminação compulsória e gradativa da NF eletrônica e do Sped.

Com isso, o cliente terá tempo para olhar para o que realmente importa: o seu negócio. Ele poderá utilizar a tecnologia para aumentar suas vendas e sua lucratividade, aumentar a qualidade de seus produtos e diminuir o tempo de resposta ao mercado. Finalmente, ele poderá utilizar a tecnologia de "maneira inteligente" e ganhar diferencial competitivo. SaaS não é uma questão de tecnologia. É uma questão de diferencial competitivo para os negócios. E com a crise econômica batendo na nossa porta, SaaS passa a ser um critério de sobrevivência.

 


O texto acima refere-se ao conteúdo parcial publicado no artigo "Acabaram as fusões no mercado de ERP?" de Dagoberto Hajjar e Ruy Moura, em 25/06/2009. (http://www.resellerweb.com.br/noticias/index.asp?cod=58588)