2017 será mais um ano ruim para TI

TI. O primeiro trimestre de 2017 apontou um crescimento de 7.7% com relação ao mesmo período do ano passado. Mas os empresários não comemoraram, aliás mostraram-se extremamente preocupados com o que vem pela frente.

O bom resultado do primeiro trimestre de 2017 foi, em grande parte, decorrente de negociações que “escorregaram” de Dezembro para Janeiro ou Fevereiro. O mesmo aconteceu no ano passado, acendendo uma luz de que existe uma mudança de tendências.

2017 será mais um ano ruim para TI

Por Dagoberto Hajjar*

O primeiro trimestre de 2017 apontou um crescimento de 7.7% com relação ao mesmo período do ano passado. Mas os empresários não comemoraram, aliás mostraram-se extremamente preocupados com o que vem pela frente.

A crise política no país, aliada com as incertezas jurídicas e tributárias estão deixando os empresários de TI muito preocupados, mas a re-oneração da folha de pagamento, aumento de ISS, lei de terceirização, e os discursos do Meirelles sobre aumento de impostos em geral, realmente está tirando o sono de todo o mercado de TI. Tanto que os empresários baixaram sua expectativa de crescimento do mercado de 7.8% para 6.2%. Desde 2010 a expectativa dos empresários para o crescimento do mercado cai trimestre-a-trimestre, e aplicando o modelo matemático que criamos, então, podemos prever que o crescimento será de 3 a 4%, sem considerar a inflação.

O crescimento do ano passado foi de 4.5%, mas considerando a inflação de 6.3% este resultado cai para -1.8%. Se o crescimento de 2017 for de 3% e a inflação for de 4%, então, teremos um resultado final de -1%, melhor do que o ano passado, mas longe dos 12 a 13% que tínhamos nos anos de 1995 a 2008.

Nem todas as empresas estão sendo impactadas da mesma maneira. Em 2016 tivemos 20% das empresas de TI com retração maior de 15% e 25% das empresas com crescimento acima de 15%. O mesmo efeito de “polarização” aconteceu em 2015 e acontecerá em 2017.

Por incrível que pareça existe um único fator que determina se a empresa terá crescimento ou retração no mercado: a maturidade empresarial.

Empresas maduras, e não tem nada a ver com a idade da empresa, analisam o mercado, as tendências, as oportunidades e ameaças, e estabelecem um plano com estratégias e ações que será seguido com disciplina. Elas escolhem corretamente a carteira de produtos, clientes e colaboradores. Elas entendem de marketing, vendas e gestão de equipe de vendas, estruturando a empresa para trabalhar como um relógio suíço, onde todas as peças estão perfeitamente sincronizadas.

Pode parecer que estou falando o óbvio, mas não é. Vou dar somente um dado entre os vários que poderiam comprovar isto. Nesta última pesquisa identificamos que 40% das empresas de TI tem um índice de acerto menor de 50% na sua previsão de vendas, sendo que 80% dos vendedores fazem sua previsão baseada em “feeling”, e 40% dos gestores de vendas usam o “feeling” para saber se o vendedor está correto ou não em suas previsões.

Bom, então está fácil. A empresa que quiser crescer mais de 15% ao ano tem que amadurecer, e as empresas que não amadurecerem vão retrair 15% ao ano até sumir do mercado.

*Escrito por Dagoberto Hajjar. É CEO da Advance Consulting. Possui mais de 25 anos de experiência nas áreas de negócios e TI. Trabalhou, durante 10 anos, na Microsoft. É formado em Matemática e Física Nuclear pela USP.